Um aniversário especial - 2005

abril 15, 2020 0 Comments A+ a-



Olá a todos e bem vindos a mais um post. Espero que estejam todos bem, fisica e psicologicamente no decorrer desta quarentena. Hoje trago um post acerca de uma das mais felizes memórias da minha infância, o meu 9º aniversário. Já lá vão 14 anos e mesmo assim é uma memória que trago comigo pela felicidade que me proporcionou.
Remontando a 2005, que não foi um ano particularmente bom para muitos nós devido aos incêndios que assolaram várias regiões do país no verão, pude presenciar a luta ao combate do fogo que estava a uns meros metros de casa, pude ouvir os vizinhos a gritar, pude ver os meus pais a molharem a nossa casa e todo o redor. Foram tempos negros mas felizmente não houveram perdas significativas, ou pelo menos, vidas perdidas.
A minha família nunca foi de fazer grandes festas nem de dar grandes prendas, e, por isso, nem eu nem os meus irmãos tivemos a regalia de ter um aniversário como se vê nos dias de hoje, em que tudo é pensado ao pormenor, desde a música às cores, a vestimenta da criança e até o tema da festa.
No dia 21 de Novembro de 2005, não me lembrando sequer de onde vinha, o que tinha feito antes, sei que a noite caía e uma tia minha estava em casa da minha avó, que é exatamente do lado da minha, e me chamou. Eu segui-a, sem imaginar o que estava por vir. Quando entrei para o pátio da minha avó vi os meus familiares de sorriso no rosto e gritaram "surpresa", eu fiquei tão feliz, tão emocionada, que quase chorei. Lembro-me que tive direito a um pequeno bolo de aniversário, a sumos com gás e montes de doces. Posso dizer que não tenho a mínima ideia se comi alguma coisa ou se recebi algum presente, porque o melhor de tudo era que estava lá a minha melhor amiga de infância (até hoje), a Sofia e claro brincámos até os pais dela a chamarem de volta para casa. Estava genuinamente feliz e eufórica, não porque recebi aquele presente que eu tanto gabava dos anúncios de televisão mas sim porque foi uma pequena grande festa que nunca me tinham feito. Foi nesse dia que percebi que o melhor da vida é estar rodeado de quem nos faz feliz, e nos realiza os sonhos, por mais pequenos que sejam, e por mais pequenos que sejamos.

O (não) acesso ao ensino superior

abril 03, 2020 0 Comments A+ a-



Ano de 2014, tenho o portátil aberto com o e-mail à minha frente, a perna treme faz horas. É aqui que a minha vida dá uma volta, ou me troca as voltas. Estou à espera do resultado de acesso ao ensino superior, e o que me vai na cabeça é "nalguma das 3 opções, hei-de entrar". Não queria ser a única do meu pequeno grupo de amigos a não ir para a universidade, porque é a fase da vida em que fazemos amizades para a vida, e outras se vão com ela. Foi à 01:41 da manhã que o tão esperado e-mail chegou: colocada na terceira e última opção. Não era o esperado porque na realidade foi só para encher papel e simplesmente não queria seguir aquele curso, e muito menos em pós laboral. Fechei o portátil e chorei por horas. Quando a cabeça já me doía decidi procurar a lista de colocados e foi o pior que fiz porque percebi que não tinha entrado no curso que queria por uma décima. A vida é madrasta, não é?
Talvez a minha mãe tivesse razão, "a universidade não é para ti", ou talvez a vida tivesse coisas melhores reservadas para mim, quem sabe?

Olá a todos, e bem-vindos ao meu blog. Nesta quarentena decidi partilhar, em curtos posts algumas experiências e momentos que vivi até hoje. Continuo a fazer e escrever história(s). Temos encontro marcado?

As memórias de um ontem mais feliz

março 29, 2020 0 Comments A+ a-



O mundo não vai bem, o mundo está a gritar por ajuda, o mundo está alarmado. Sei que ontem podia andar na rua à vontade, sem ter medo de acionar o botão para passar na passadeira, sem medo de estar rodeada de gente, sem medo de utilizar dinheiro para pagar as minhas compras. Ontem não estava paranóica com uma súbita tosse, um febre, não estava preocupada com espirros. Ontem estava mais feliz que hoje, e, acho que no geral, todos estávamos. A verdade é que é normal estarmos assustados com a situação que o mundo está a passar, este vírus invadiu as nossas vidas abruptamente e está a mostrar-nos da pior forma que temos que parar, refletir e reeducar os nossos hábitos. Os números são inquietantes e a incerteza de que isto irá acabar rapidamente é cada vez maior. Não é que esteja 100% ao nosso alcance mas é fundamental termos uma postura defensiva porque não acontece só ao vizinho, e, a cada dia que passa, leio coisas assustadoras, estamos em constante mudança, mas não para melhor.
Com o tempo que tenho tido em casa parei para pensar, não só em mim, mas em quem está comigo todos os dias, na minha família que está a mais de 2000km, naqueles que estão sozinhos, nos que, antes de tudo colapsar, já passavam dificuldades, nos que não têm um teto sobre as suas cabeças, nos animais de rua, e no desconhecido até. Estou assustada com o que sei, e até com o que não sei, mas imagino. A nossa mente não conhece fronteiras, mas os nossos atos sim. Chegou a altura de pensar que quanto mais cedo nos distanciarmos, mais depressa nos voltaremos a abraçar.
Sei que ontem era livre, hoje também o sou, mas menos, por mim, e por aqueles que me rodeiam. Passado é passado, e todos o queremos deixar bem lá atrás, mas vou admitir que adoraria ter um pouco de passado no meu presente. Estamos na luta contra o tempo, ainda podemos lutar, mas e tempo? Será que o temos?

* Aproveito para apelar a todos, especialmente família e amigos, que sigam uma conduta correta face a este Covid19, lembrem-se que mais vale prevenir que remediar. Gostaria de voltar a casa e ter toda a gente na mesa, já que, infelizmente, muitas pessoas não o poderão fazer. Cuidem-se!

1 ano e meio de Irlanda

fevereiro 23, 2020 0 Comments A+ a-



Olá a todos e bem vindos a mais um post.

Hoje trago uma retrospectiva do último ano e meio em que estou a morar na Irlanda. Para quem não sabe fiz exatamente o mesmo depois de uma semana de me ter mudado (aqui), em que tudo foi uma espécie de terapia de choque, todo um novo começo. Hoje, bem mais ambientada, venho falar um pouco sobre o percurso e o que mais se destacou pela positiva e pela negativa.
É importante referir que a minha opinião se mantém a mesma face aos pontos falados no post acima!
Vamos começar pelo que mais me aborrece: o facto de estar SEMPRE a chover, gente, não tem como não entrar num mood depressivo com tanta chuva. Os dias são 90% cinzentos e já nem vale a pena colocar a hipótese de colocar a roupa a secar no estendal exterior, porque aquela miragem de sol por 3 segundos e meio não vai secar coisa nenhuma. E sim a chuva é um problema para aquelas pessoas que, como eu, adoram sol, seja para passar meia dúzia de horas na esplanada a comer um gelado ou simplesmente para poder sair de casa, e sorrir, porque são esses pequenos prazeres da vida que nos movem.
E AINDA sobre a chuva, também o clima é frio nos meses de inverno e a verdade é que andei meses a fio sempre doente, se não era do cu, era das calças! Pensei que estava era a ficar doida, porque até o sistema imunitário se habituar, é dose!
Para além das constipações que se curam com meia dúzia de LemSip (que de tão mau que são preferi ficar doente mesmo!), para o caso de deslocarmos algo, ou precisarmos de ir ao médico, não existe o centro de saúde tal como em Portugal, temos os General Principle que é basicamente um médico que ouve os nossos ais e uis e nos reencaminha para a unidade que precisamos. Escusado dizer que não é barato nem rápido não é?
A higiene, na minha perspetiva é um ponto sensível para os irlandeses, isto porque às 7 da manhã lá andam as carrinhas a varrer e a lavar as ruas (sim porque a chuva não é o suficiente), e as janelas e montras das lojas já se encontram spotless! Sabiam que se deitarem uma pastilha para o chão correm o risco de pagar uma multa? E já não falo do senso comum, que esse deveria existir em todo o lado, mas existem várias sinaléticas pelas ruas para alertar as pessoas de que além do lixo comum, as pastilhas não podem ser atiradas para o chão!
Já vos falei do pequeno almoço irlandês? Não? Isso foi porque para mim estava fora de questão comer bacon, salsichas e feijão às 10 da manhã. Eu que trabalho num café andei a comer torradas por semanas ao que me perguntaram "olha lá, tu sabes que podes comer mais coisas sem ser torradas, né?" Sim chefe, mas digamos que não quero rebentar com colesterol antes de ir de férias a Portugal, ou estar uns quilos mais gorda (que foi o que aconteceu), e além de mais gorda, o leite aqui é preferencialmente gordo, para ajudar à festa.
Não sei se se lembram, mas falei-vos dos mil e um pubs que existem na Irlanda, e é claro, lá fui experimentar a famosa Guinness, e olhem, tenho a dizer, não percebo nada de cerveja mas escorregou bem! Ah e já agora, para quem está de visita, fiquem a saber que os pubs fecham no máximo às 2 da matina, e já vão com sorte!
Quanto ao turismo, não há muito que se lhe diga, não há muito para visitar ou conhecer, os pontos atrativos contam-se por uma mão, e os irlandeses quando se fala de férias, fala-se de Vilamoura, Albufeira, Sintra e pastéis de nata. Isto diz muita coisa certo? Lá ficam todos embeiçados quando digo que sou portuguesa, e uma pessoa até se esquece, por momentos, porque saiu de Portugal.
Além destas, deixo-vos umas curiosidades extra, porque o dia já vai longo!
Sorry, cheers e thanks a million. Se souberem usar isto no dia-a-dia, estão safos. Dica de amiga!
Não existem interruptores ou tomadas dentro das casas de banho, por questões de segurança.
A recolha do lixo é feita semanalmente (no nosso caso) e pago mensalmente.

Como está a ser a experiência? Além de por vezes custar, além de as forças faltarem de vez em quando, estarmos fora da nossa zona de conforto faz-nos alargar horizontes e desafiar-nos a nós mesmos, e sem dúvida que amadurecemos e aprendemos a enfrentar a vida de forma diferente. Aprendemos a valorizar as coisas mais pequenas, os momentos mais curtos. A vida é feita de sacríficios e só os melhores guerreiros vencem as maiores batalhas.

Obrigado por me terem lido, e já sabem, encontramo-nos por aqui!





Porque criei um negócio próprio?

janeiro 18, 2020 0 Comments A+ a-


Olá a todos e bem-vindos a mais um post.

Hoje, a título pessoal, venho falar-vos um pouco sobre a minha decisão de criar um negócio próprio, e o seu processo ao longo dos últimos sete meses.
Para vos situar um pouco desde os meus 17 anos sempre trabalhei na área de restauração, cafés e atendimento ao cliente. Devo dizer que sempre tive muito gosto e sempre mostrei interesse em aprender a cozinhar, e felizmente tive formação ao longo dos anos nos locais onde trabalhei.
Ao mudar-me para a Irlanda em 2018 e na falta de comida típica portuguesa, nomeadamente doçaria, sempre procurei por confecionar em casa as iguarias que mais saudades me deixavam, e, foi enquanto a minha cara metade se empanturrava de baba de camelo me sugeriu "devias fazer isto para vender" ao qual respondi prontamente "e quem é que vai querer comprar doces portugueses?". Exatamente Foi neste momento que pensei no óbvio: os portugueses! Estamos numa cidade com bastantes portugueses e foi o primeiro pensamento de que realmente poderia dar certo. Foi num piscar de olhos que calculei custos para meia dúzia de sobremesas, criei uma pequena tabela de preços e lancei-me na criação de uma página de facebook, a dia 9 de Junho de 2019: a Sweet Temptation. Foi através desta ferramenta que fui divulgando o meu trabalho e rapidamente tive os meus primeiros clientes, que me deram um ótimo feedback, e foi a partir daí que fui alargando os meus horizontes e a melhorar o meu método de trabalho, comprando mais e melhores materiais, e alargando a variedade da minha ementa, pois a procura começou a aumentar.  Hoje, alegro-me ao afirmar que os meus clientes são maioritariamente, Irlandeses! A minha página deixou de ser apenas de doçaria portuguesa, porque Sara não é Sara se não quiser mais e melhor. Decidi que nenhum desafio seria maior que eu e desde então tento realizar todos os pedidos dos meus clientes, de forma profissional e eficaz. Tenho a sorte e o orgulho de dizer que ainda não recebi uma crítica negativa e é isso que mantém o meu gosto por melhorar e aprender, porém tenho consciência que no dia em que ela chegar, será para me ajudar. Além do dinheiro extra proveniente deste negócio, há sempre aquilo que nos move: a realização pessoal, o sorriso rasgado do cliente ao ver a sua encomenda, e a satisfação de receber uma mensagem de retorno.
Tem sido gratificante estes setes meses, e em especial os últimos dois, porque foi quando me dei conta de que tenho um compromisso sério comigo mesma, mas ainda mais sério para com os meus clientes. Tudo isto não poderia ter corrido tão bem sem o apoio incondicional do Pedro, a quem eu agradeço todos os dias, não só pelo suporte moral mas também pela ajuda, porque também arregaça as mãos, e mete-as na massa, literalmente!
E esta é a história da Sweet Temptation, que ainda tem muito para se escrever! E já agora, obrigado por me terem lido. Até a uma próxima!

Escolhe um trabalho de que gostes, e não terás que trabalhar nem um dia na tua vida. Confúcio 

2020, vem com tudo!

janeiro 11, 2020 0 Comments A+ a-


Sugestão de música

Olá a todos e bem-vindos a mais um post, e a 2020!
Fazendo o balanço do ano anterior, posso dizer que, para mim, foi um ano difícil em termos de força psicológica e desgaste emocional. Estar longe de casa e dividida entre dois países não é fácil, todos o sabemos, requer força, coragem, e muita, muita insistência! Se um dia decidimos partir, pensando que nada temos a perder, no outro acordamos e perguntamo-nos "o que estou eu aqui a fazer?". 2019 foi um ano em que tive a tarefa difícil de aprender a ignorar a azáfama do meu interior e saber lidar com o silêncio ao meu redor. Apesar de me considerar uma pessoa muito otimista e animada, nem sempre consegui contornar os momentos menos bons da melhor forma e isso levou a que perdesse o entusiasmo e o incentivo para o que realmente importava. A determinado momento era apenas alguém que se levantava pela manhã, vestia o melhor sorriso, ia trabalhar, voltava para casa e fingia que foi tudo ótimo, quando já nem a minha expressão dizia o mesmo.

Nem todos os dias pensamos da mesma forma, e nem todos os dias são cinzentos e chuvosos (não falando do lado literal da coisa) e é aqui que entra 2020, para nos ensinar a começar, uma vez mais, do zero, para nos relembrar que quem traça o destino somos nós mesmos, e que todas as decisões estão ao nosso alcance. Tudo pode melhorar, e tudo pode ganhar forma se tivermos garras para isso.
2019, não vou mentir, foste um malandro comigo, mas também o fui contigo, podia ter dado mais de mim e podia ter retirado melhor partido das coisas, porém vou agradecer-te somente por me permitires reconhecer os trilhos que percorri, e as pessoas fantásticas que todos os dias mostram o que é amar, nas mais diversas formas e feitios. Não tenho tudo, mas não poderia pedir mais nada.

A título informal, dou graças a todos os bons momentos que tive o prazer de vivenciar, os sítios onde pude estar, e, a todos aqueles que me arrancaram um sorriso, obrigado, eu fui estou feliz!