A vida até onde a vi

domingo, setembro 09, 2018 0 Comments A+ a-



Nascemos sem o termos pedido, somos seres vulneráveis e sabe-se lá o que será de nós, dependentes de um outro alguém. Num abrir e fechar de olhos somos crianças com tudo a que supostamente temos direito, e adquirindo inconscientemente valores que serão fundamentais na vida adulta. Somos expectadores das perdas de quem nos é querido sem podermos fazer nada para o impedir e é-nos dito que faz parte da vida. E faz. Temos que nos conformar e aceitar. Aprendemos a conviver com personalidades diferentes, deixamos de esfolar os joelhos e passamos a partir corações. Ou tê-lo partido. E o quão difícil é entender como aconteceu? Vemos os anos a correr porque temos de aprender matemáticas, ciências, línguas estrangeiras, e mais 1001 coisas que servirão para ficarem fechadas em cadernos e livros e esquecidas na memória. Temos 17 anos e sofremos a pressão da sociedade; "para que universidade vais?" "o quê? não vais prosseguir os estudos?" "curso profissional? isso não serve para nada" "estás no mc'donalds a trabalhar? que mau!" Que raio sabem eles? Tentamos sobreviver na desigualdade, na dificuldade, no esforço e mesmo assim não saímos da cepa torta. Devagar se vai ao longe e cada vez mais isto ecoa nas nossas cabeças. Com os trocos do part-time conseguimos tirar a carta de condução, frequentando as aulas à noite e mais tarde já vamos para o trabalho com o carro que conseguimos por meia dúzia de tostões. Desde que ande é o que importa, mas e para eles? Tens de ter mais, muito mais. Porque para eles é fácil ponderar e opinar.
Não sabemos onde pagar as contas, como fazer o seguro do carro, ou o que é um contrato de trabalho. Não aprendemos o que precisamos na escola, e do nada vemos o nosso salário reduzido a descontos para o estado, vemos o dinheiro a escassear e com ele os sonhos. A dada altura sabemos o valor do dinheiro e temos raiva. Muita raiva. Como pode um monte de papel definir a nossa a vida? E é nesta altura da vida que percebemos que já não somos crianças, que já não é tudo bonito, fácil e divertido. Já não somos inocentes pelos nossos atos e temos muitas mangas para arregaçar porque a vida é assim, complicada e efémera. Resta-nos aproveitar tudo o que temos hoje e semear um amanhã melhor. Devemos cuidar de nós e dos outros, porque, num descuido, amanhã podemos não estar cá para relatar o resto.

Chamo-me Sara, tenho 21 anos e uma vida de adulta muito corrida. Nómada a vida inteira, e por isso o meu sonho é deambular pelo mundo. Dizem que tenho jeito para meia dúzia de frases e para contar piadas sem piada. De mim, é o que sei, sejam bem-vindos!

Comentários
0 Comentários