Uma carta, de mim para mim

segunda-feira, janeiro 08, 2018 5 Comments A+ a-


O que dirias para o teu eu, daqui a 10 anos?
Saudações Sara do futuro,
Aparentemente acreditas que hás de ler estas meias dúzias de palavras em formato de carta, enquanto te ris do facto de a teres escrito, mas relaxa, não estou aqui para te denegrir. E ai de ti que depois da leitura me chames de ingrata!
É sempre aprazível recordarmos por onde andámos, quem fomos, quais as nossas ambições, quem encontrámos pelo caminho e quem sem querer deixámos pelas valetas não é? Sou obrigada a concordar. Bem-vinda à montanha russa, aconselho a colocares o cinto e em caso de emergência cerra os olhos, mas não te demores. Aproveita a vista.

Tem sido complicado, ouvi dizer... Como te tens safado? Ou quem te tem safado? Sozinhos não somos nada, e tu sabes disso. É bom não é? Ter alguém com quem conversar sobre as novelas, reclamar do trabalho, chorar pelas paixões não correspondidas, achincalhar quem é diferente... Nesta altura do campeonato já sabes distinguir o certo do errado, e ainda bem! Mal de mim seres ingénua por tanto tempo! Certamente ainda o és, mas espero que numa percentagem reduzida. Agora conta-me... Das pessoas que juraste manter, amar, acompanhar, quantas levaste contigo? 
Espero que tenhas consciência que afastaste quem te queria bem, esqueceste-te das boas acções, deste o que não desejavas para ti, causaste dor a quem era o teu braço direito. Aconteceu, lamentas-te tu. E espero que te lamentes vezes sem conta. Não é saudável mas permite-te recordar o que tiveste outrora e apreciar o que tens hoje. 

Entre a opção de bom e mau, tens tendência a querer ir pelos dois, e para te ser sincera não sei explicar se isso é uma coisa boa ou má. Irónico não? Como se costuma dizer, bater à porta errada gera descoberta, então só tenho a encorajar-te porque todos erram e tu não és excepção. Tantas foram as noites mal dormidas, gritos na almofada, maquilhagens borradas, dores de cabeça e nenhum medicamento te salvou senão tentar apagar as asneiras que fizeste. Não te julgo, afinal de contas também te apunhalaram. Não faças o mesmo,  não queiras dar o troco na mesma moeda!

Tenho visto que te tentas manter transparente, embora que às vezes um transparente sujo, porém sei que a humildade ninguém ta tira. Sabes de onde vieste, sabes as tuas origens, os teus valores, os teus ideais. Nunca te esqueças disso, nunca te desvalorizes. Por mais que corras, tropeças e caias. Enquanto tiveres garra, tens os recomeços que quiseres. 

A vida continua, é a tua sorte, todavia já te deste conta que, conforme cresces, mais difícil fica cultivá-la, por isso, não te esqueças de a regar todos os dias, fertilizá-la. Hás-de colher frutos, eventualmente.

Aguardo notícias tuas, e não, cartas não são retrógradas. 

Sara Oliveira
08 de Janeiro de 2018



Chamo-me Sara, tenho 21 anos e uma vida de adulta muito corrida. Nómada a vida inteira, e por isso o meu sonho é deambular pelo mundo. Dizem que tenho jeito para meia dúzia de frases e para contar piadas sem piada. De mim, é o que sei, sejam bem-vindos!

Comentários
5 Comentários

5 Comments

Write Comments
Anónimo
AUTHOR
8 de janeiro de 2018 às 21:38 delete

As circunstâncias não nos faríamos amigas, apesar de quase nunca nos cruzarmos, mas ainda assim posso dizer talvez com um certo receio , por não conhecê-la intimamente, que vejo um pouco de mim , em ti , mas não é isso que me fez deixar um comentário, mas sim que depois de ler mais um texto , de uma que também escreve , que ganhaste mais um(a) admirador, Não conheço a sara de agora , mas se daqui a 10 anos ela continuar a expressar-se como hoje o faz , ela terá algo muito admirável, bjinhos

Reply
avatar
Sara Oliveira
AUTHOR
8 de janeiro de 2018 às 21:55 delete

Confesso que fiquei curiosa em saber quem és, mas, de qualquer forma obrigado pela visita e pelas palavras! Beijinhos.

Reply
avatar
Anónimo
AUTHOR
23 de janeiro de 2018 às 00:08 delete

A vida é sofrimento, um esforço contínuo contra a morte e a desmaterialização. Em tempos tão cinzentos vemos os anos passarem bem em frente aos nossos olhos, tudo nasce, cresce, florece, morre e nós continuamos aqui. Olhando para o infinito presente que passa em um instante, com vidas tão corridas, com objetivos tão claros que nossa mente totalmente abstrata é incapaz de conceber. A origem de nossos sentimentos, tão resoluta e que nos serve de ópio para as dores do coração, dentro do ovo da criação nossa existência desfaz os cordéis do destino exibindo talvez a maior maravilha na natureza humana e aqui jaz todos os esforços malignos do silêncio que tenta o mais belo dom humano, a Criatividade.

Reply
avatar
Anónimo
AUTHOR
23 de janeiro de 2018 às 21:24 delete

Eu acordei de manhã e me perguntei por que está tudo igual a antes
Eu não consigo entender, não eu não consigo entender por que a vida segue dessa maneira
Por que meu coração continua batendo?
Por que esses meus olhos choram?
Eles não sabem que é o fim do mundo?
Terminou quando você disse adeus
Por que meu coração continua batendoEu acordei de manhã e me perguntei por que está tudo igual a antes
Eu não consigo entender, não eu não consigo entender por que a vida segue dessa maneira
Por que meu coração continua batendo?
Por que esses meus olhos choram?
Eles não sabem que é o fim do mundo?
Terminou quando você disse adeus
Por que meu coração continua batendo?

Reply
avatar
Sara Oliveira
AUTHOR
26 de janeiro de 2018 às 01:09 delete

Temos fã de Lana d´el Rey. Obrigado pela visita :)

Reply
avatar