Um aniversário especial - 2005



Olá a todos e bem vindos a mais um post. Espero que estejam todos bem, fisica e psicologicamente no decorrer desta quarentena. Hoje trago um post acerca de uma das mais felizes memórias da minha infância, o meu 9º aniversário. Já lá vão 14 anos e mesmo assim é uma memória que trago comigo pela felicidade que me proporcionou.
Remontando a 2005, que não foi um ano particularmente bom para muitos nós devido aos incêndios que assolaram várias regiões do país no verão, pude presenciar a luta ao combate do fogo que estava a uns meros metros de casa, pude ouvir os vizinhos a gritar, pude ver os meus pais a molharem a nossa casa e todo o redor. Foram tempos negros mas felizmente não houveram perdas significativas, ou pelo menos, vidas perdidas.
A minha família nunca foi de fazer grandes festas nem de dar grandes prendas, e, por isso, nem eu nem os meus irmãos tivemos a regalia de ter um aniversário como se vê nos dias de hoje, em que tudo é pensado ao pormenor, desde a música às cores, a vestimenta da criança e até o tema da festa.
No dia 21 de Novembro de 2005, não me lembrando sequer de onde vinha, o que tinha feito antes, sei que a noite caía e uma tia minha estava em casa da minha avó, que é exatamente do lado da minha, e me chamou. Eu segui-a, sem imaginar o que estava por vir. Quando entrei para o pátio da minha avó vi os meus familiares de sorriso no rosto e gritaram "surpresa", eu fiquei tão feliz, tão emocionada, que quase chorei. Lembro-me que tive direito a um pequeno bolo de aniversário, a sumos com gás e montes de doces. Posso dizer que não tenho a mínima ideia se comi alguma coisa ou se recebi algum presente, porque o melhor de tudo era que estava lá a minha melhor amiga de infância (até hoje), a Sofia e claro brincámos até os pais dela a chamarem de volta para casa. Estava genuinamente feliz e eufórica, não porque recebi aquele presente que eu tanto gabava dos anúncios de televisão mas sim porque foi uma pequena grande festa que nunca me tinham feito. Foi nesse dia que percebi que o melhor da vida é estar rodeado de quem nos faz feliz, e nos realiza os sonhos, por mais pequenos que sejam, e por mais pequenos que sejamos.

O (não) acesso ao ensino superior



Ano de 2014, tenho o portátil aberto com o e-mail à minha frente, a perna treme faz horas. É aqui que a minha vida dá uma volta, ou me troca as voltas. Estou à espera do resultado de acesso ao ensino superior, e o que me vai na cabeça é "nalguma das 3 opções, hei-de entrar". Não queria ser a única do meu pequeno grupo de amigos a não ir para a universidade, porque é a fase da vida em que fazemos amizades para a vida, e outras se vão com ela. Foi à 01:41 da manhã que o tão esperado e-mail chegou: colocada na terceira e última opção. Não era o esperado porque na realidade foi só para encher papel e simplesmente não queria seguir aquele curso, e muito menos em pós laboral. Fechei o portátil e chorei por horas. Quando a cabeça já me doía decidi procurar a lista de colocados e foi o pior que fiz porque percebi que não tinha entrado no curso que queria por uma décima. A vida é madrasta, não é?
Talvez a minha mãe tivesse razão, "a universidade não é para ti", ou talvez a vida tivesse coisas melhores reservadas para mim, quem sabe?

Olá a todos, e bem-vindos ao meu blog. Nesta quarentena decidi partilhar, em curtos posts algumas experiências e momentos que vivi até hoje. Continuo a fazer e escrever história(s). Temos encontro marcado?

As memórias de um ontem mais feliz



O mundo não vai bem, o mundo está a gritar por ajuda, o mundo está alarmado. Sei que ontem podia andar na rua à vontade, sem ter medo de acionar o botão para passar na passadeira, sem medo de estar rodeada de gente, sem medo de utilizar dinheiro para pagar as minhas compras. Ontem não estava paranóica com uma súbita tosse, um febre, não estava preocupada com espirros. Ontem estava mais feliz que hoje, e, acho que no geral, todos estávamos. A verdade é que é normal estarmos assustados com a situação que o mundo está a passar, este vírus invadiu as nossas vidas abruptamente e está a mostrar-nos da pior forma que temos que parar, refletir e reeducar os nossos hábitos. Os números são inquietantes e a incerteza de que isto irá acabar rapidamente é cada vez maior. Não é que esteja 100% ao nosso alcance mas é fundamental termos uma postura defensiva porque não acontece só ao vizinho, e, a cada dia que passa, leio coisas assustadoras, estamos em constante mudança, mas não para melhor.
Com o tempo que tenho tido em casa parei para pensar, não só em mim, mas em quem está comigo todos os dias, na minha família que está a mais de 2000km, naqueles que estão sozinhos, nos que, antes de tudo colapsar, já passavam dificuldades, nos que não têm um teto sobre as suas cabeças, nos animais de rua, e no desconhecido até. Estou assustada com o que sei, e até com o que não sei, mas imagino. A nossa mente não conhece fronteiras, mas os nossos atos sim. Chegou a altura de pensar que quanto mais cedo nos distanciarmos, mais depressa nos voltaremos a abraçar.
Sei que ontem era livre, hoje também o sou, mas menos, por mim, e por aqueles que me rodeiam. Passado é passado, e todos o queremos deixar bem lá atrás, mas vou admitir que adoraria ter um pouco de passado no meu presente. Estamos na luta contra o tempo, ainda podemos lutar, mas e tempo? Será que o temos?

* Aproveito para apelar a todos, especialmente família e amigos, que sigam uma conduta correta face a este Covid19, lembrem-se que mais vale prevenir que remediar. Gostaria de voltar a casa e ter toda a gente na mesa, já que, infelizmente, muitas pessoas não o poderão fazer. Cuidem-se!