Amanhã, o dia em que partiste - Pai ❤ - Parte 2



Se soubesse mais cedo que a vida nos tira o chão por baixo dos pés certamente a aproveitava de outra forma. Não há idade ou fase da vida que estamos prontos para perder alguém, ou muito menos aceitar, é uma ferida que, por mais tempo que passe, não sara, a dor não diminui.
Por mais que eu lamente não puder ter feito nada, por mais que lamente não me ter despedido, sei que um dia te reencontrarei. Quero acreditar que me acompanhas para onde quer que vá, o que quer que faça, sei que vou ter a oportunidade de te contar todas as minhas vitórias, todas as pessoas boas que conheci, todos os momentos bons e maus que passei, e pai, prometo que quando te reencontrar fico contigo, para sempre.
Às vezes penso na morte, na ausência, no sentimento de impotência, na angústia, como se nada mais fizesse sentido já que a cada dia estamos mais perto de partir. E posso dizer pai, não aguento perder mais ninguém. Posso perder coisas e momentos, mas não pessoas. Não tenho forças sequer para imaginar, e pode parecer egoísta não querer aceitar o ciclo que é a vida, mas se há amor maior que este, eu desconheço. Podem ter passado 10 anos, mas continuas vivo no meu peito, na minha caixinha de lembranças, felizmente são coisas que o vento não pode levar. Faz tempo que deixámos de criar história, sei que não terei a honra de me levares ao altar, de conheceres os teus netos, sei que já não me vais pedir para te ir buscar as botas ou tão pouco ir buscar te as cervejas ao café.
Não sou rica pai, mas daria tudo que tenho para te ter comigo... Resta-me viver o melhor que posso, deixar-te orgulhoso e esperar... Pelo amanhã.
"Até amanhã!"

Parte 1: Aqui

Um aniversário especial - 2005



Olá a todos e bem vindos a mais um post. Espero que estejam todos bem, fisica e psicologicamente no decorrer desta quarentena. Hoje trago um post acerca de uma das mais felizes memórias da minha infância, o meu 9º aniversário. Já lá vão 14 anos e mesmo assim é uma memória que trago comigo pela felicidade que me proporcionou.
Remontando a 2005, que não foi um ano particularmente bom para muitos nós devido aos incêndios que assolaram várias regiões do país no verão, pude presenciar a luta ao combate do fogo que estava a uns meros metros de casa, pude ouvir os vizinhos a gritar, pude ver os meus pais a molharem a nossa casa e todo o redor. Foram tempos negros mas felizmente não houveram perdas significativas, ou pelo menos, vidas perdidas.
A minha família nunca foi de fazer grandes festas nem de dar grandes prendas, e, por isso, nem eu nem os meus irmãos tivemos a regalia de ter um aniversário como se vê nos dias de hoje, em que tudo é pensado ao pormenor, desde a música às cores, a vestimenta da criança e até o tema da festa.
No dia 21 de Novembro de 2005, não me lembrando sequer de onde vinha, o que tinha feito antes, sei que a noite caía e uma tia minha estava em casa da minha avó, que é exatamente do lado da minha, e me chamou. Eu segui-a, sem imaginar o que estava por vir. Quando entrei para o pátio da minha avó vi os meus familiares de sorriso no rosto e gritaram "surpresa", eu fiquei tão feliz, tão emocionada, que quase chorei. Lembro-me que tive direito a um pequeno bolo de aniversário, a sumos com gás e montes de doces. Posso dizer que não tenho a mínima ideia se comi alguma coisa ou se recebi algum presente, porque o melhor de tudo era que estava lá a minha melhor amiga de infância (até hoje), a Sofia e claro brincámos até os pais dela a chamarem de volta para casa. Estava genuinamente feliz e eufórica, não porque recebi aquele presente que eu tanto gabava dos anúncios de televisão mas sim porque foi uma pequena grande festa que nunca me tinham feito. Foi nesse dia que percebi que o melhor da vida é estar rodeado de quem nos faz feliz, e nos realiza os sonhos, por mais pequenos que sejam, e por mais pequenos que sejamos.

O (não) acesso ao ensino superior



Ano de 2014, tenho o portátil aberto com o e-mail à minha frente, a perna treme faz horas. É aqui que a minha vida dá uma volta, ou me troca as voltas. Estou à espera do resultado de acesso ao ensino superior, e o que me vai na cabeça é "nalguma das 3 opções, hei-de entrar". Não queria ser a única do meu pequeno grupo de amigos a não ir para a universidade, porque é a fase da vida em que fazemos amizades para a vida, e outras se vão com ela. Foi à 01:41 da manhã que o tão esperado e-mail chegou: colocada na terceira e última opção. Não era o esperado porque na realidade foi só para encher papel e simplesmente não queria seguir aquele curso, e muito menos em pós laboral. Fechei o portátil e chorei por horas. Quando a cabeça já me doía decidi procurar a lista de colocados e foi o pior que fiz porque percebi que não tinha entrado no curso que queria por uma décima. A vida é madrasta, não é?
Talvez a minha mãe tivesse razão, "a universidade não é para ti", ou talvez a vida tivesse coisas melhores reservadas para mim, quem sabe?

Olá a todos, e bem-vindos ao meu blog. Nesta quarentena decidi partilhar, em curtos posts algumas experiências e momentos que vivi até hoje. Continuo a fazer e escrever história(s). Temos encontro marcado?